CULTURA

13/05/2019

Museu do Estado, nas GraçasFoto: Ricardo Moura/Divulgação

Qual o papel de instituições culturais no resgate e valorização sociocultural de uma população? Esse é um questionamento feito pela Semana Nacional de Museus que, na sua 17ª edição, traz o tema “Museus como Núcleos Culturais: o Futuro das Tradições”. A Semana, inicia suas atividades nesta segunda-feira (13) e segue até o sábado (18). O tema, idealizado pelo Instituto Brasileiro de Museus, o Ibram, ressalta a relação entre os espaços culturais com a interação entre o passado, presente e o futuro, mantendo a singularidade de cada tempo e espaço.

A identidade visual traz o ideograma africano Sankofa, um pássaro que olha pra trás e, apesar de voar para frente, busca o passado para compreender o presente. Os museus, acima de tudo, são espaços democráticos onde não mantém a ideia de passado estático e imutável, mas sim buscam de conectar com a população e se adaptar ao presente.

Abordando a "finalidade" das instituições culturais, que trazem esses centros como um diálogo de práticas e costumes socioculturais, o Museu da Abolição, localizado na Rua Benfica, Madalena, participa da Semana Nacional de Museus, promovendo seminários e visitas guiadas ao longo da semana e, ao fim da programação, uma Mostra de Estética Afro, com desfiles, oficinas, rodas de diálogo e apresentações culturais.
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“Nessa época em que a cultura está sendo bombardeada, abrimos o espaço para discussão no nosso museu para um olhar crítico sobre as nuances de gênero e étnicas, que são os principais temas abordados pela nossa programação”, conta Mabel Medeiros, gestora do Museu de Arte Moderna Aloiso Magalhães (Mamam), localizado na Rua da Aurora, no bairro da Boa Vista. Através da premissa "passado, presente e futuro, entrelaçados numa construção interminável", o museu ressalta a resistência da cultura africana e indígena.

Oficinas de turbante, encontros de saberes regionais, cinedebates e rodas de capoeira compõem a programação do Mamam para a Semana Nacional de Museus, que abre portas para a ressignificação da memória nesse evento que, segundo Mabel, busca atingir um público que costuma não frequentar esses espaços.

“Em formato de oficinas e cinedebates, costumamos descrever a Semana como um ambiente de troca e participação. Queremos que as pessoas de fato se apropriem do museu”, finaliza Mabel. O Mamam, durante a quarta-feira (15), irá aderir à paralisação geral em protesto às medidas do Governo Federal, relocando as atividades do dia para a próxima quarta-feira (22).

Paço do Frevo, no Bairro do Recife

Paço do Frevo, no Bairro do Recife - Crédito: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

Pensar em tradição também é lembrar do tradicional Frevo que, com mais de 110 anos, carrega o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Unesco, declarado em 2012. O Paço do Frevo, localizado na Praça do Arsenal, no bairro do Recife, também participa da Semana Nacional de Museus, inicia sua programação a partir da terça-feira (14) com atividades que unem a participação do público e a memória do frevo no inconsciente pernambucano. Oficinas de troça, bonecos gigantes, documentários e até mesmo karaokê ressaltam a cultura do Carnaval, mas que permanece o ano todo.

"O frevo, apesar de ter suas raízes no século 19, continua em movimento e atuação muito vivos e pulsantes ao longo do ano todo", descreve Nicole Costa, diretora geral do Paço do Frevo, "dentro da perspectiva de trabalhar as tradições e ao mesmo tempo o próprio frevo enquanto tradição em movimento, o espaço trabalha o diálogo entre a memória e a contemporaneidade através da nossa programação".

No dia 18 de maio comemora-se o Dia Internacional do Museu. A data, instituída pelo Comitê Internacional de Museus (Icom), coincide com o encerramento da Semana Nacional de Museus. O Paço do Frevo oferece entrada gratuita para todos os públicos na data, além das atividades diárias como o “Tem Gogó?”, que une o frevo com o improviso do público.

O futuro e a tecnologia também se encontram como aliados dos museus. Isso porque a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), através do Museu do Homem do Nordeste, realiza dentro da programação da Semana Nacional o chamado "Museu na Feira". A ação, que acontece nos dias 16 e 17 de maio, promove a interação do público com o acervo da instituição. Através de óculos de realidade virtual, o visitante poderá visualizar quatro salas de exposição e imagens em 360 graus. A experiência gratuita ficará na barraca do Munhe no Mercado da Encruzilhada, das 9h às 15h.

Nordeste é o segundo

Ao todo, 1.114 instituições culturais participam nas cinco regiões do país, somando 3.222 eventos na programação. O Nordeste é a segunda região com mais instituições participantes das Semana.

No Recife, além do Mamam e do Museu da Abolição, também estão participando da Semana o Centro Cultural Benfica, a Caixa Cultural Recife, Casa do Carnaval, o Instituto Ricardo Brennand, Museu Cais do Sertão, Museu da Cidade do Recife, Museu do Estado de Pernambuco, Museu do Homem do Nordeste, Museu Murillo La Greca, entre outros. Através do serviço Busca Rápida, a programação majoritariamente gratuita pode ser conferida por completo no site do Ibram.

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