TRAGEDIA DA CHUVA NO GRANDE RECIFE

25/07/2019

Atualizado 20:36 - Por: Redação OP9

Vidas soterradas: as histórias das vítimas das chuvas na RMR

Doze pessoas morreram em Abreu e Lima, Recife e Olinda em mais uma madrugada trágica

Com medo dos deslizamentos, Natalício Vicente da Silva, de 69 anos, e Ivonete Maria da Silva, 63, tinham se mudado há quatro anos para uma casa em Passarinho, na Zona Norte do Recife. O imóvel foi construído em regime de mutirão pela própria família por ser um lugar que eles julgavam ser mais seguro. Na trágica madrugada chuvosa desta quarta-feira (24), eles dormiam quando a barreira desabou. Seus corpos foram encontrados lado a lado, em cima da cama.

A história do casal de idosos se soma a uma lista de doze vítimas fatais do temporal desta quarta na Região Metropolitana do Recife. Desde o dia 13 de junho, quando deslizamentos mataram nove pessoas na RMR, já são 21 vítimas de desabamentos. Em comum, são famílias pobres que se deslocaram para áreas de risco por falta de opção.

Grávida de oito meses, Maria Eduarda de Silva, de 21 anos, viajou até Caetés II, em Abreu e Lima, para celebrar a vida – mas acabou soterrada por uma montanha de lama e entulhos. Ele deixou a Ilha de Itamaracá, onde morava com o marido, para realizar um chá de bebê com a família e acompanhar a festa de aniversário de 15 anos do irmão.

A busca por Duda, como ela era conhecida, entrou pela noite e seu corpo só foi achado pelo Corpo de Bombeiros por volta de 23h40 da quarta, quase um dia após o deslizamento. Os irmãos dela, Luis Henrique da Silva, de 15 anos, Mariana da Silva, de 18 anos, e o pai, Silvano da Silva, de 49, também morreram soterrados pela avalanche.

Em Olinda, os vizinhos Elisângela Alves da Silva, de 43 anos, e Diego Luiz de Oliveira , de 33 anos, também não resistiram a um deslizamento no bairro de Caixa d’Água. Empolgada por ter voltado aos estudos, Elisângela recebeu, horas antes da tragédia, a visita do filho caçula de 16 anos, a quem tentou tranquilizar por conta do tempo ruim. Já o filho mais velho, 25 anos, que dormia com ela no barraco, levou uma pancada na cabeça durante a queda da barreira, mas conseguiu sobreviver.

Diego, o vizinho discreto, morava sozinho. Seu único companheiro era um cachorro, que sobreviveu. O cão não quis deixar a área dos escombros e, talvez na esperança de reencontrar o dono, acompanhou de perto a operação de resgate do Corpo de Bombeiros, comovendo moradores e parentes da vítima.

No bairro de Águas Compridas, também em Olinda, Abraão Batista da Silva, de 25 anos, estava no barraco de um amigo em uma área de difícil acesso quando foi atingido pela massa de lama. Éverton Dias da Silva, amigo de Abraão, também foi atingido e considerou “um milagre” ter sobrevivido para lamentar a perda precoce.

No Córrego do Curió, em Dois Unidos, no Recife, Josafá Barbosa da Costa, 34 anos, ainda tentou correr após ouvir um estrondo. A mulher foi atingida, mas sobreviveu. O pai de Josafá lembra que o filho estava feliz com o emprego novo. Ele era motorista da prefeita interina de Camaragibe, Nadégi Queiroz.

Fora de casa

Mais de 1,2 mil pessoas estão desalojadas devido às fortes chuvas, segundo balanço da Coordenadoria de Defesa Civil de Pernambuco (Codecipe). As famílias desalojadas estão em Olinda, Paulista, Recife, Igarassu, Abreu e Lima e Jaboatão dos Guararapes.

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